Redação ENEM: “O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil”

Proposta

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema “O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil”, apresentando proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO I

Projetos sociais que têm o esporte como ferramenta de inclusão social são um importante aliado na formação de crianças e adolescentes. Nas diferentes modalidades o trabalho resgata valores que são fundamentais para o desenvolvimento e a aprendizagem dos jovens, seja no futebol, no basquete, ou no vôlei. Tanto que, no Brasil, é grande o número de instituições do terceiro setor que se dedica a atividades na área; e até esportes pouco populares por aqui, como badminton e hockey de grama, por exemplo, estão presentes em iniciativas nos diferentes estados do país.

Disponível em: http://redeglobo.globo.com/acao/noticia/2013/10/por-meio-do-esporte-ongs-detodo-o-pais-promovem-inclusao-social.html. Adaptado.

TEXTO II

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Quero fazer parte

Como dizia Russeau, o “homem é o produto do meio”. Portanto, como previnir que cidadãos em situação de vulnerabilidade se orientem ao crime, se esses não posuem boa infraestrutura nem para a prática esportiva? Como atender a todos os anseios se apenas o futebol é valorizado? Essas são perguntas pertinentes que se relacionam à temática do esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil.

De acordo com a UNICEF, faltam áreas de lazer no país, que acaba por sofrer com a violência lamentavelmente não contida devido aos escassos incentivos aos possíveis atletas, que serviriam de exemplo de caminho a seguir ao invés de traficantes. Entretanto, infelizmente, a comunidade brasileira, além de possuir mal planejamento urbano, ainda sofre com desvios financeiros por parte dos governantes.

Quanto ao reduzido leque de opções sobre o que praticar, já que o Futebol masculino reina soberano como o mais querido pela nação verde amarela, é triste constatar que é preciso escolhê-lo como o preferido para se sentir incluído no grupo. Contudo, nem todos possuem essa facilidade de alterar preferências por meras decisões, o que acaba por prejudicar os que poderiam obter sucesso em outras atividades.

É, por conseguinte, importante que políticos culpados por desvios de verba sofram punição exemplar por meio dos órgãos competentes para assegurar o destino final dos investimentos públicos. Ademais, o Ministério da Educação (MEC) deveria, mediante a grade curricular, possibilitar e incentivar a realização de variadas ocupações físicas, para homens e mulheres. Assim, obtem-se uma sociedade inclusivista e saudável.

2 problemáticas:

  1. o ser humano não é pleno sem a convivência e o esporte estimula isso
  2. apenas o futebol é valorizado
  3. indivíduos em situação de vulnerabilidade estão mais suscetíveis ao crime quando sem esporte
  4. há poucos parques para a prática esportiva no Brasil

2 soluções:

  1. valorizar não apenas o futebol nas escolas como forma de atender a todos os anseios
  2. aumentar o número de parques com quadras poliesportivas públicas no país

Aristóteles e vários outros filósofos Gregos já alertavam sobre a importância da vida em sociedade para o indivíduo, que deve se sentir parte do grupo ao qual está inserido, preservando, assim, a própria harmonia deste. Todavia, tratar o esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil tem sido difícil, pois é difícil conseguir patrocínio ao atleta e falta infraestrutura para a prática em muitos municípios.

Se, como dizia Russeau, “o homem é produto do meio” com este sendo adverso à prática esportiva, já que 70% do dinheiro arrecadado na cidade é enviado à Brasília, é natural constatar os efeitos colaterais mais usuais de tal situação: violência ou depressão, fatores que, segundo psicólogos, poderia ser previnidos por meio de um convívio social inclusivista, que apresenta maiores oportunidade a todos por meio de atividades físicas em comunidade.

Além da necessidade de um ambiente adequado aos exercícios coletivos, é pertinente ressaltar que a sensação de pertencimento ao meio demanda exemplos a serem seguidos, que, por sua vez, no caso dos atletas, necessitam de um patrocínio, o que não é fácil de conseguir no país devido à conjuntura econômica, de crises intermitentes causada por uma economia não dinâmica, centralizada na figura do Estado.

É, por conseguinte, aconselhável uma reforma administrativa que permita o acesso dos municípios a um maior volume financeiro, sem que este seja enviado à federação anteriormente ao retorno. Ademais, a alta carga tributária deve ser reduzida, também pelo Legislativo. Assim, tem-se a oportunidade de construção, pelo Executivo, de novos parques públicos com quadras poliesportivas e sobra mais dinheiro para as empresas patrocinarem os atletas.

2 problemáticas:

  1. há pouca infraesutrutra pois não há dinheiro suficiente nos municípios para investir nos esportes
  2. falta patrocício aos atletas devido a alta carga tributária que assola as empresas do país

2 soluções:

  1. reforma administrativa para evitar que a maior parte do volume financeiro arrecadado vá para a união
  2. reforma tributária para reduzir a alta carga de impostos sobre as empresas

Sedentarismo, um problêma econômico

Impostos que chegam a, pelo menos, 50% do valor do produto; repasses de 70% à Brasília dos impostos arrecadados no município. Esses são alguns dos entraves escondidos por trás de uma sociedade que não consegue adotar o esporte como ferramenta de inclusão social, apesar de todas as leis já feitas em apoio ao tema. O primeiro impedimento mencionado afeta, principalmente, a possibilidade de se conseguir patrocínio; o segundo, dificulta o investimento em infraestrutura local. A reforma tributária continua no papel e a ignorância reina.

Segundo o SEBRAE, mais de 90% das empresas fecham nos cinco anos iniciais de atuação; até pouco tempo, o Brasil figurava como principal na lista de ações trabalhistas, o número destas chegava a ser superior à soma global. Apesar disso, os empresários ainda são tratados pelos políticos, ao menos nos discursos, como inimigos da população. Esse não, infelizmente, é um ambiente à marcas que queiram patrocinar atletas.

Sem os campeões a serem tidos como exemplo a seguir, o ciclo que resulta em novos talentos inexiste. Outrossim, é importante para que esse seja realidade, que haja parques com infraestrutura adequada à prática de atividades físicas coletivas, que reforce a convivência inclusivista. Todavia, de acordo com a atual legislação, a maior parte dos tributos arrecadados são centralizados na federação para, depois, serem redistribuídos, o que não tem funcionado.

É, por conseguinte, importante que leis sejam aprovadas para reduzir as altas taxas incidentes sobre o consumo e impedem que verbas sejam utilizadas em publicidades desportivas. Outrossim, também o Legislativo, deve votar uma proposta que descentralize a gestão do dinheiro público, tornando possível para a administração municipal construir mais parques com quadras poliesportivas. Assim, obtem-se uma sociedade mais dinâmica, que apesar de autônoma, acolhe a todos.

2 problemáticas:

  1. falta patrocínio aos atletas
  2. falta infraesutrutra para a prática esportiva

2 soluções:

  1. reduzir a carga tributária para sobrar dinheiro à publicidade desportiva
  2. descentralizar a gestão das verbas públicas, fazendo com que sobre mais dinheiro aos municípios para o investimento em parques com quadras poliesportivas

Disponível em: https://waldircanal.files.wordpress.com/2010/05/esporte-paraolimpico.jpg.

TEXTO III

O novo ministro do Esporte, George Hilton, disse hoje (2) que o esporte no país deixou de ser apenas uma vitrine para o talento brasileiro e se transformou em um meio de inclusão social que deve estar ao alcance de todos.

Durante a cerimônia de transmissão de cargo, Hilton avaliou que, nos últimos anos, o Brasil se tornou mais do que o país do esporte. No entanto, segundo ele, o esporte nunca deixou de ser parte importante do país e dos brasileiros.

“Vou dar atenção especial ao esporte social, ao esporte de inclusão, ao esporte educacional e ao esporte comunitário. Quero intensificar a parceria com o Ministério da Educação para consolidar o programa Atleta na Escola”, prometeu. “Este é o caminho para o desenvolvimento sustentável do esporte brasileiro”.

O novo ministro lembrou que o nascer da pasta, há 12 anos, não foi fácil e que o esporte é considerado por ele um setor historicamente relegado dentro do poder público. Uma das prioridades, segundo Hilton, será ampliar o debate no Congresso Nacional para a renovação da Lei de Incentivo ao Esporte, cujo prazo de validade se expira este ano.

“Atendi ao chamado da presidenta sabendo que é um grande desafio dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito”, disse. “Mas temos hoje altivo e consolidado um ministério exclusivo para representar os anseios da comunidade esportiva e conduzir políticas públicas no mundo do esporte”, concluiu.

Disponível em: https://www.brasil247.com/pt/247/esporte/165367/George-Hilton-querreforçar-esporte-como-inclusão-social.htm

Texto para análise

Esporte: ética e sociedade

Jogos Pan-americanos de 2007, Campeonato Mundial de Judô em 2013, Copa do Mundo de 2014: nos últimos anos, a sociedade brasileira e, em particular, a cidade do Rio de Janeiro tem vivenciado intensamente a experiência do esporte. As Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016 serão, neste sentido, a cereja do bolo, mas não se pode de modo algum reduzir a prática esportiva a esses megaeventos. De fato, mais do que atividade de competidores célebres ou negócio que envolve milhões, o esporte é, em si mesmo, um poderoso meio de inclusão social, capaz de transformar vidas. De modo geral, tal poder transformador do esporte pode ser visualizado sob dois aspectos: no seu papel na formação ética dos indivíduos e no seu caráter socializador.

Em primeiro lugar, o esporte tem um enorme potencial para a transmissão de valores e normas de conduta sadios. Com efeito, tal como qualquer atividade com objetivos claros e determinados, a prática esportiva exige ordem, disciplina, paciência, coragem, perseverança, etc. Isto é, há uma série de virtudes éticas que são pressupostas no esporte e que por isso mesmo são desenvolvidas naqueles que se põem a praticá-lo. A prática constante da atividade física desenvolve ainda mais estas habilidades éticas, visto que a virtude, conforme ensinava Aristóteles, não consiste em um ato de bondade isolado, mas sim na prática habitual do bem.

Por outro lado, não se pode ignorar o papel inestimável do desporto no processo de socialização. Com efeito, como dizia o mesmo Aristóteles, o homem é naturalmente um ser social e político, isto é, engajar-se na vida social não é um aspecto secundário da existência humana, mas lhe é, ao contrário, algo constitutivo. Assim, o processo de socialização, de integração do indivíduo no interior da sociedade, não pode ser subestimado – e o desporto pode ter papel essencial nisso. Na verdade, a atividade esportiva produz, invariavelmente, uma comunidade de pessoas, uma integração entre os diferentes, afinal, mesmo o esporte mais solitário, implica algum tipo de cooperação