Redação ENEM: O poder de consumo determina os padrões de felicidade?

Felicidade e Sociedade de Consumo

O carro do ano, a roupa da estação, o corpo perfeito, o mais novo modelo de ipad, enfim, quem não deseja possuir todos esses quesitos? O poder de consumo, na atualidade, tornou-se referência de felicidade. As pessoas se matam trabalhando cada vez mais buscando novos desejos a serem saciados. Não há tempo para saúde, família, realizações internas, tempo para si, o indivíduo feliz é aquele que consegue comprar cada vez mais. Será que um dia ele estará satisfeito e completo ou o desejo por consumir acarretará num vazio cada vez maior? Será mesmo que a felicidade está apenas no ter e poder consumir coisas? Será que ainda há algo que o dinheiro não possa comprar?

Proposta: 

Escreva um texto que discuta a seguinte questão: Será que o poder de consumo pode determinar os padrões de felicidade? Leve em consideração as ideias oferecidas pela coletânea, mobilize argumentos, levante fatos, dados, exemplos que levem seu texto a ir além do senso comum e realizar uma crítica análise da problemática imposta.

Textos motivadores:

Comprando felicidade

“Não é preciso apenas consumir para existir, mas é preciso consumir para ser feliz. Nessa lógica, vale tudo para se realizar um sonho de consumo: fazer horas-extras, “bicos” ou prestações a perder de vista. “É como se os objetos fossem capazes de propiciar o bem-estar social e a segurança que tanto se reclama e proclama”, aponta Ruscheinsky. Assim, busca-se a realização pessoal e a felicidade através do consumo. A sociedade de consumo vende a satisfação dos desejos individuais, mas desperta nos consumidores a cada momento novos desejos a serem satisfeitos, fazendo-os querer (e consumir) sempre mais. “O vazio existencial cavado pela complexidade dos relacionamentos psicossociais não se preenche facilmente com bolsas, celulares e carros. Se a felicidade prometida pela sociedade de consumo fosse real, nós não estaríamos vivendo uma sociedade tão violenta como a nossa. A violência física e simbólica são frutos da desigualdade e da perversidade da sociedade de consumo que elege os endinheirados como os sortudos da ilha da fantasia”, alerta Padilha. “[ Com Ciência – A insustentável sociedade de consumo]

“Por isso, a sociedade está tão consumista, por não ter mais um ideal de felicidade, sumiu o conceito de realização pessoal e encontro interno. As pessoas acreditam que a felicidade só é proporcionada pelo exterior, pelas coisas e não no encontro interno. Às vezes esse consumismo é um “mecanismo de defesa”, pois determinada pessoa quer fazer parte daquele ou desse grupo que segue uma linha de ideologia, características comportamentais, viés da moda, gosto musical e para ser aceita pelo grupo deve se enquadrar aos padrões. Se não atender essas exigências está excluída do convívio com eles. Gera, portanto, uma angústia por ser discriminado, de não ser aceito só pelo fato de não atender aos padrões. Daí busca chegar a esse padrão, porque tem falsamente na sua mente que é mais fácil mudar seus gostos e estilos para se enquadrar ao estereótipo do grupo e assim ser feliz, e ignora a sua essência, o que de fato é, só para atender ao paradigma dominante. Albert Einsten nos deixa muito claro qual é seu conceito de felicidade e como buscá-la: “Se quer viver uma vida de felicidade amarre-se a uma meta e não a pessoas ou coisas”.” [Grupo Notícia – Consumo x Felicidade]

“Nossa cultura é a do prazer imediato, a música tem pouco mais de três minutos, tempo suficiente para se gravar um refrão; nossos filmes invariavelmente são de duas horas, tempo adaptado às salas de cinema para que haja rodízio de espectadores com razoável previsão do negócio; a internet nos relaciona em lacônicos 140 caracteres, mais que isso seria perder tempos com detalhes desnecessários ao consumo de fragmentos de notícias; somos vorazes consumidores da velocidade, nossa comida é a da entrega expressa, não diferente são nossas relações sentimentais e sexuais, “ficamos” envolvidos pelo tempo suficiente ao surgimento de alguém novo, adquirimos nossos relacionamentos como se já a espera de um modelo de série que sairá da fábrica em um período programado, enfim, reproduzimos nosso consumo do luxo ao lixo, ostentamos e descartamos com o mesmo sentimento desprendido de valores e afetos.” [O indispensável consumo para felicidade] 

Eu também quero

Com um sistema educacional que mais parece uma linha de produção, não é de se espantar que os cidadãos atrelem o ideal de felicidade ao consumo de bens. Segundo Einstein, para o indivíduos sentir-se pleno é importante uma o estebelecimento de uma meta e o comprometimento em alcançá-la. No entanto, é difícil, inclusive, estabelecer um objetivo a se alcançar, pois nem o direito de escolher o assunto a estudar os jovens possuem.

Os seguidores de Aristóteles, filósofo da Grécia antiga, possuíam um modelo educacional diferente do atual, onde os alunos, chamados Peripatéticos, ou aqueles que passeiam, eram ensinados ao ar livre, em contato com a realidade objetiva e subjetiva daquilo que os rodeia. Bem diferente da “prisão entre quatro paredes” aos quais os pupilos modernos são submetidos, o que explica a busca pela felicidade em atitudes vazias como o consumo.

A realidade mudou e as escolas continuam a seguir o modelo estabelecido pela Revolução Industrial. Instituições de ensino, além de terem regredido, ainda parecem negar o presente e tolher um futuro promissor ao pupilo, que é proibido, ou ao menos não incentivado, a interagir com as novas tecnologias durante o horário letivo. Tal atitude, acaba por incutir uma ansiedade combatida de modo superficial com os valores apresentados na publicidade.

É, por conseguinte, importante que o Ministério da Educação (MEC) forneça cursos que capacitem ao professor a utilização de tecnologias a serem utilizadas em sala de aula. Ademais, a grade curricular, já ministrada por mestres mais “antenados” deveria ser flexibilizada, de modo a refletir o meio e anseios nos quais os pupilos se encontram. Assim, permite-se que muito mais adultos, tanto crescidos nesse novo meio, quanto “tocados” por seus filhos, consigam enxergar a realização em situação muito mais profundas do que simples transações financeiras.

2 problemáticas:

  1. falta dinamicidade no atual sistema social
  2. superficialidade no sistema educacional

2 soluções:

  1. prover cursos de capacitação tecnológica aos professores
  2. flexibilização da grade curricular provendo maior liberdade em busca da felicidade

Prazeres efêmeros

No filme em protagonizado pro Will Smith, em Busca da Felicidade, um pai em situação de vulnerabilidade encontra o sucesso na liberdade financeira, o que é um conceito compreensível. Todavia, quando essa é pautada em compras efêmeras, problemas psicológicos podem advir, pois a aquisição de um produto dura pouco tempo, não é uma conquista representada por uma árdua caminhada que permite a reciclagem de metas, escenciais, segundo Eistein, ao contentamento da alma.

Os seguidores de Aristóteles eram chamados Peripatéticos, palavra grega que significa “os que passeiam”, pois assim era como interagiam com o mestre, bem diferente da atualidade, onde as escolas seguem o padrão estabelecido na Era Industrial e o pupilo se encontra entre quatro paredes com uma grade curricular inflexível. Tal realidade, segundo muitos pedagogos, tem provocado ansiedade, o que corrobora para o consumo compulsivo.

Outrossim, no ambiente empresarial, muitas tarefas ainda são repetitivas, o que robotiza o indivíduo e asfixia a criatividade, inerente à concepção de realização pessoal de acordo com muitos psicólogos. Ademais, o emprego deve ser visto como uma oportunidade de aperfeiçoamento individual e do mundo circundante, o que, quando não é assim percebido, pode provocar uma sensação de vulnerabilidade, muitas vezes preenchida por comportamentos consumistas.

É, por conseguinte, importante que o Ministério da Educação (MEC) viabilize uma grade curricular mais flexível e pleneje escolas que possibilitem uma sensação de maior integração do ser com o meio ambiente. Ademais, o Legislativo deveria reduzir as altas cargas tributárias incidentes em indústrias tecnológicas, como forma de fomentar vagas de trabalho mais dinâmicas. Assim, tem-se crianças e adultos mais aptos a estabelecerem ricos objetivos de vida, que previnam hábitos compulsivos.

2 problemáticas:

  1. problemas no sistema educacional
  2. problemas no ambiente empresarial

2 soluções:

  1. aulas mais dinâmicas
  2. facilitar que indústrias modernas sejam criadas

Um caminho de aventuras

Acordar cedo, sentar, escutar algumas pessoas falando por 6 horas sobre assuntos que não escolheu. Essa é a rotina de um estudante moderno, não muito diferente da de um trabalhador. Tal realidade, segundo psicólogos, pode gerar ansiedade, sentimento incômodo que tem sido combatido por meio de prazeres efêmeros, como a compra de bens materiais.

Os discípulos de Aristóteles eram chamados Peripatéticos, que em grego significa, “os que passeiam”. Essa nomenclatura ressalta a diferença para com as instituições de ensino modernas, onde pupilos ficam entre quatro paredes recebendo um conteúdo subjetivo de modo passivo por professores que, muitas vezes, não sabem utilizar as tecnologias atuais, o que está em desacordo com a realidade desses e os tornam vulneráveis às publicidades predatórias.

Já no mercado de trabalho, parece haver uma repetição do que acontece nas escolas: há um líder que espera um comportamento robotizado dos subalternos. Tal modelo educacional e mercadológico, apesar do passar dos anos, ainda é um espelho da Era Industrial, que demanda um mercado consumidor voraz, para adquirir a oferta cada vez maior.

É, por conseguinte, importante que o Ministério da Educação (MEC) viabilize uma grade curricular flexível orientada por professores capacitados às novas tecnologias. Outrossim, é importante que o Legislativo reduza as altas cargas tributária sobre indústrias não extrativistas, que possibilitam empregos mais humanos. Dessa forma, haverá crianças e adultos mais consciêntes do futuro brilhante que os espera, possibilitando-os metas mais perenes pautadas em um caminho de aventuras.