Proposta de Redação para o ENEM: Por que não se vence a Dengue?

Proposta de Redação para o ENEM: Dengue

Por que o Brasil não consegue vencer o Aedes aegypti?

Os brasileiros convivem há algumas décadas com um terrível inimigo: o mosquito Aedes aegypti, que transmite doenças graves: a dengue, a chikungunya e a febre do Zika (cujo vírus, por sua vez, também tem provocado um grande número de casos de microcefalia). A epidemia parece aumentar ano a ano, apesar das inúmeras campanhas de conscientização e mutirões de combate aos criadouros dos mosquitos. Aliás, há ações que podem mesmo se mostrar contraproducentes: por exemplo, a técnica conhecida como “fumacê”, que acaba gerando insetos mais resistentes aos inseticidas e larvicidas. Na coletânea de textos que informa esta proposta de redação, fica claro que o problema não se deve exclusivamente ao mosquito. Leia os textos, reflita sobre eles, some a isso os conhecimentos que você mesmo tem sobre o tema e escreva uma dissertação argumentativa, apresentando quais fatores, na sua opinião, são os principais responsáveis pela proliferação do Aedes aegypti no Brasil. Diga também como você acha que eles devem ser combatidos.

Elabore uma dissertação considerando as ideias a seguir:

Proposta de Redação para o ENEM: Dengue

A doença tropical

Se por um lado uma população ignorante contribui para o crescimento urbano irregular construindo puxadinhos sem respeitar as leis vigentes, por outro, existe um poder público corrupto, permissivo em troca de votos, e voraz por propinas que, muitas vezes, prejudicam todo o saneamento público. Essa realidade, infelizmente, é a grande responsável pelo crescimento do Aedes aegypti no Brasil.

Algumas políticas de combate à dengue tem sido a utilização de fumacês, por meio de um carro que passa pulverizando inseticida nas ruas. Essa estratégia, contudo, tem corroborado para o aumento dos mosquitos resistentes aos venenos utilizados nas residências, pois, segundo a teoria Darwinista, obviamente, eles acabam sendo selecionados para o sucesso reprodutivo.

Há pouco tempo, uma barragem de mineradora estourou, após alguns anos, outras. Nessa história de assassinato dos rios em alguns estados brasileiros, os primeiros a morrerem são os habitantes do próprio manacial afetado, dentre eles, o sapo, principal predador de pernilongos. Tal desequilíbrio na cadeia alimentar, provocou um aumento do número destes e desencadeou doenças raras, a Zika e a Chikungunya, também veiculadas pelo temido agente transmissor.

É, por conseguinte, importante que o Executivo fiscalize e puna indivíduos que controem sem autorização nas cidades, evitando o acúmulo de água parada que serve de nascedouro aos mosquitos. Ademais, é imprescindível a prisão exemplar dos que desviam verbas governamentais, desincentivando o interesse por caminhos questionáveis à riqueza que tanto afetam o coletivo. Dessa forma, tem-se um país que serve de exemplo aos mais novos e permite os pais criá-los com segurança.

O Aedis Aegypit é o agente transmissor de três doenças, Dengue, Zika e Chikungunya, que têm assolado alguns países tropicais. Esse mosquito tem como nascedouro, nos centros urbanos, a água parada, provocada, principalmente, por um crescimento mal planejado. Como culpados de tal fato, há o próprio cidadão que não colabora, e o poder público, que tem, infelizmente, atuado contra o interesse coletivo.

Em países desenvolvidos, para se construir no próprio lote, ou mesmo fazer uma pequena reforma na casa, é preciso autorização das autoridades competentes que, quando não respeitadas, incorre-se em pesadas multas e consequências desencorajadoras a qualquer incauto. Todavia, no Brasil, constroem-se “puxadinhos” à revelia e nada acontece com o transgressor, pois o político tem medo de perder votos.

Os motivos para se construir à margem de leis vigentes são muitos, dentre eles, o grande atraso na aprovação de projetos civis ou a requerência de propina para aprová-los. Ademais, no âmbito de obras governamentais, estas, frequentemente, são executadas por empresas que burlaram o processo licitatório com a ajuda de quem deveria fiscalizá-las, tudo pela cobiça ao dinheiro do contribuinte, que acaba faltando na luta contra as mazelas tropicais provocadas pelo temido pernilongo.

É, por conseguinte, importante que o Executivo, fiscalize e puna indivíduos que não corroboram com as normas de construção vigentes. Ademais, como forma de garantir essa prática, é preciso que o Ministério da Justiça, e autoridades competentes, assegurem uma punição exemplar a gestores que ajam contra os interesses sociais. Assim, tem-se a construção de comunidades mais justas e livres das enfermidades que assolam o subdesenvolvimento.

O lixo que se acumula nas grandes cidades, soma-se ao crescimento urbano não planejado, contribuindo para o aumento no número de doenças como Dengue, Zika e Chikungunya, provocadas pelo Aedis aegypt, que encontra, em águas paradas, consequência dos fatores citados, um local propício à reprodução. Tal quadro, tem levado o Brasil a uma alarmante derrota contra as enfermidades que assolam alguns países tropicais.

Devido à falta de dinheiro para investir em um bom arquiteto e à demora da prefeitura em aprovar projetos civis, muitos decidem por iniciar obras irregulares, os famosos “puxadinhos”. Tal atitude contra o interesse público, infelizmente, não tem sido passível de punição, pois apesar de existirem leis regulamentatórias e previsão de consequências vexativas, gestores ignoram o fato em troca de votos, corroborando a uma infraestrutura que privilegia à geração do temido mosquito.

Se indivíduos não tem educação nem para construir a própria casa, obviamente, também não haverá comprometimento por parte destes sobre onde jogar o resíduo que produzem. Essa lógica é real e passível de averiguação em muitas esquinas, onde pneus e eletrodomésticos defeitusos, infezlimente, ilustram a cidade e contribuem à continuação de enfermidades epidêmicas.

É, por conseguinte, importante que o Executivo fiscalize e puna os desobedientes às leis de Engenharia Civil vigentes e privilegie os desejosos por agir corretamente, tornando mais eficiente o processo de construção. Ademais, como forma de se assegurar essa contuda, os órgãos de justiça competentes devem punir, exemplarmente, administradores corruptos. Assim, tem-se uma sociedade que, além de justa, possui saúde.

O Ministério da Saúde adverte

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, admitiu nesta segunda-feira (30/11/15) que o Brasil não combateu o mosquito Aedes aegypti, “para vencer” -o que teria levado o país enfrentar uma epidemia de Zika, febre chikungunya e dengue em 2015, com mais de 1,5 milhão de casos. Castro participou de uma reunião com prefeitos de Pernambuco em Gravatá (a 80 km do Recife), Estado com maior número de casos de microcefalia.

[…]

O ministro ainda deu um puxão de orelha nos gestores pernambucanos por cobrarem mais recursos. “Não é só falta de dinheiro, é também má gestão, desvio de recursos, gente inescrupulosa fazendo miséria com dinheiro público. Nós temos que ser o máximo eficiente possível para ter moral, para ir à opinião pública de maneira enfática pedir mais recurso. Mas para isso a sociedade precisa saber que o seu dinheiro será bem aplicado”, afirmou.

[UOL Ciência e Saúde]

Derrota por 7 X 1

Como podemos destacar o papel do poder público no combate ao mosquito, já que essa epidemia não é uma coisa nova? Onde está o erro?

O erro está no modelo de desenvolvimento econômico que o brasil adotou a 500 anos. Não é um erro do gestor atual, mas deste processo de desenvolvimento econômico, que privilegia o crescimento urbano acelerado e desorganizado sem o devido suporte dos instrumentos necessários para atender a população, como, por exemplo, coleta regular de resíduos sólidos, fornecimento de água de modo regular para consumo doméstico e a própria distribuição geográfica de vários espaços.

No combate ao Aedes aegypti, a educação da população também é um fator a ser explorado?

Sim, mas não a educação de ensino regular. Veja só, se você andar pela rua, vai cansar de ver gente jogando latinha fora do lixo. Enquanto persistir isso, não tem solução. A gente tem que se conscientizar. O brasileiro tem isso de se apegar a ilusões, só que a realidade nos confronta. Sabe o jogo do Brasil com a seleção alemã, o 7 a 1? Então. Nós estamos brincando de controlar o Aedes aegyptinesses trinta anos que tem dengue no Brasil. Tem todo esse tempo e nós estamos perdendo de 7 a 1 na luta contra esse mosquito. Nós estamos usando uma estratégia que não está dando certo. É claro que uma coisa ou outra, prefeito A ou prefeito B, uma greve na coleta do lixo, enfim, podem contribuir para a situação. Mas, para além disso temos que refletir o que está no cerne da questão, se é que queremos resolver o problema.

[Entrevista do Dr. Rivaldo V. Cunha, diretor da Fiocruz em MS]

Dificuldades do combate

O que é feito para eliminar o mosquito?

A maior parte dos criadouros são encontrados em residências. Por isso, campanhas de conscientização da população costumam ser feitas em períodos de chuva. Além disso, agentes sanitários visitam imóveis para encontrar focos de larvas do inseto e exterminá-las com larvicidas e inseticidas mais potentes do que os vendidos no mercado. Entrar em imóveis particulares é um complicador, segundo o infectologista Kleber Luz, professor do Instituto de Medicina Tropical do Rio Grande do Norte. Muitos moradores não permitem a entrada dos funcionários públicos com medo de serem falsos agentes prontos para um assalto.

É possível erradicar o Aedes aegypti do país?

“Hoje consideramos impossível erradicar o Aedes aegypti. O programa de erradicação se tornou inviável. A ideia agora é manter a quantidade de mosquitos a níveis seguros para impedir a transmissão de doenças”, afirma Valle. A bióloga diz que a adoção de fumacês, por exemplo, gera mosquitos mais resistentes. “Hoje, levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida e, em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo.”

O que pode ser feito para reduzir o número de mosquitos?

O país vem buscando usar as novas tecnologias para combater o mosquito. A maior aposta é o uso de mosquitos Aedes aegyptitransgênicos, ou seja, cujo genoma é modificado em laboratório e “pode promover uma população de mosquitos estéreis”, ressalta Arruda, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

[UOL Ciência e Saúde]

Observações

Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;

Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa;

Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração;

A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;

De preferência, dê um título à sua redação.

Tendo como base as ideias apresentadas nos textos acima, os inscritos fizeram uma dissertação sobre o tema Por que o Brasil não consegue vencer o Aedes aegypti?