Quem foi Carlos Magno no Império Carolíngio. O Reino Franco. ENEM

Quem foi Carlos Magno

Carlos Martel, o pai de Pepino e avô de Carlos Magno

Para entender como “Pepino, o Breve” virou monarca, é importante saber mais sobre seu pai, o Carlos Martel, importante major domus que já, na realidade, detinha o poder de rei dos francos, mas, apesar disto, ainda não havia sido coroado. Ele não se preocupou com isso, provavelmente, para evitar qualquer problema com o papa, que possuía, em teoria, o poder de coroar ou destituir monarquias e, como a Igreja contava com milhões de fiéis, Carlos Martel preferiu continuar apenas como Major Domus, um cargo público através do qual venceu a Batalha de Poitiers e foi ovacionado pela população, obtendo na prática, poder de mando sobre o reino dos francos.

“Pepino, o Breve”, pai de Carlos Magno

É comum, na história da humanidade, o filho querer sobrepor as conquistas do pai, “ir além”. Para isso, Pepino chegou à conclusão de que precisava ser coroado rei. Para isso, aliou-se ao papa indagando-o sobre quem teria o direito de ser rei, “se apenas o sujeito que usava a coroa ou quem, efetivamente, manda no estado”. O papa Estêvão II, ávido pela aliança que lhe traria mais poder, condedeu o desejo de Pepino. Contudo, essa coroação não foi gratuita, alguns pontos foram demandados em acordo, são eles:

  • auxílio militar
  • auxílio políto
  • auxílio econômico

Portanto, quando Pepino foi chamado para libertar Roma, então sede da igreja católica, dos Lombardos, Pepino acatou o pedido com rapidez e os derrotaram em duas batalhas, cedendo, também, parte das terras conquistadas à Igreja. Assim, esta poderia arrecadar mais impostos e governarem os súditos consolidando seu poder político e econômico. Surgiram, dessa maneira, os estados pontifícios, que só deixaram de existir em 1870. Além disso, Pepino transformou em obrigatória a doação do dízimo, que antes era apenas opcional. Por isso, após este decreto, todos os fiéis passaram a pagar, compulsoriamente, 10% de seus ganhos à Igreja.

Carlos Magno, o rei dos francos

Quem foi Carlos Magno

Assista também: A era de Carlos Magno no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=u8Zx6SVgUJM

Em 768, “Pepino, o Breve” morre, deixando todo o império franco aos seus dois filhos: Carlomano, o mais velho e Carlos Magno, o mais novo. Mas, em 771, Carlos Magno, também chamado de “Carlos, o Grande“, sobe, sozinho, após a morte repentida no irmão, ao poder, unifica o reino dos francos e começa um novo processo de expansão territorial. Em 774 ele completa um cerco à cidade de Pávia, principal sede dos Lombardos, vencendo-os e se coroando, também, o rei dos Lombardos, iniciando, assim, a configuração atual da região que hoje seria a Itália. Em 803, após muitas batalhas, ele conquista a Germânia e quase consegue retomar a Espanha Muçulmana.

Em dois momentos da história, imperadores foram coroados no território que seria hoje a França: Carlos Magno e Napoleão. Contudo, este tomou a coroa das mãos do papa e a colocou sobre a própria cabeça, num gesto que signficava que não havia ninguém acima de seu poder, já Carlos Magno, obedientemente, aceitou ser coroado pelas mãos do papa, o que simbolizava que, apesar de todo seu poder, ainda sim, havia alguém mais poderoso que ele, a ponto de ser capaz de legitimá-lo ou não no trono. Porém, em 814, no auge de sua autoridade, Carlos Magno faleceu.

Quem foi Carlos Magno

Carlos Magno sendo coroado imperador romano por Leão III

Obs.: no vídeo em destaque, é falado que o Império Carolíngio possui esse nome devido a Carlos Magno, todavia isso é um erro muito comum. Na realidade, a dinastia Carolíngia recebeu esse nome, de “Pepino, o Breve” por causa de Carlos Martel, avô de Carlos Magno e o principal resposável pelo poder conquistado pela família, que veio a permitir que esta governasse o reino dos francos.

Luíz, o piedoso

Filho de Carlos Magno, “Luíz, o Piedoso” herdou o trono do reino dos francos. Todavia, provavelmente devido à sua educação totalmente católica ele era, como o próprio nome diz, muito piedoso, característica não muito bem quista em um rei naquela época, a qual, geralmente, era governa por meio do medo. Deste modo, ele não foi autoritário o suficiente para manter o território centralizado sob o seu comando, sofrendo inúmeros ataques. Em 840 o reinado de “Luíz, o Piedoso” chega ao fim devido à sua morte.

Lotário

Filho de Luíz e neto de Carlos Magno, Lotário sobe ao trono depois da morte de seu pai. Todavia, Luís e Carlos, seus irmãos ficaram enfurecidos por não serem eles a se tornarem reis. Em vista dessa fúria, eles fizeram um pacto, em 842, jurado em contrato, para fazer de tudo no intuito de derrubar o Lotário. Esse juramento, chama-se Juramento de Strasburgo é o documento em francês, até onde se sabe, mais antigo da história.

O Tratado de Verdun

Em 843 Lotário foi, realmente, derrotado e e admitiu que seus dois irmãos também tivessem o seu próprio território no qual reinariam. Desse modo, o território dos francos ficou dividido em três: no ocidente, o “Carlos, o Calvo”, com o pedaço de terra que acabou, depois, originando a França; no meio ficou o território do Lotário, nomeado Lotaríngia; a oeste, “Luís, o Germânico”, com o território que veio a configurar a atual Alemanha. Este pacto de divisão territorial entre os filhos de Carlos Magno ficou conhecido como Tratado de Verdun.

A origem da sociedade feudal

Com a divisão do reino dos francos em três territórios, o império acabou se tornando muito mais frágil às invasões, pois não havia, agora, uma unidade de comando para defesa ou ataque, mas uma burocracia de três líderes que, provavelmente, não se entendiam tão bem assim. Dessarte, as unidades territóriais, devido, assim como na roma antiga, às inúmeras invasões bárbaras, tornaram-se cada vez mais reduzidas, vindo a configurar, então, os territórios feudais que se mantiveram, pincipalmente, sob o domínio da igreja, agora já muito rica devido ao pacto inicial de “Pepino, o Breve” com a Igreja, no qual obrigou a todos a doarem 10% de sua receita à instituição, que já recebia diversos territórios de muitos monarcas que queriam contar com o apoio desta.

Documentário sobre os francos