Integralismo: Ação Integralista Brasileira. O Fascismo no Brasil

Ação Nacional Libertadora expulsa Integralistas da praça da Sé

No início do século XX, uma nova doutrina estava começando a surgir na Europa. Suas primeiras e discretas teorias ocorreram entre os pensadores franceses, mas foi em Portugal que ela ganhou traços fortes e veio a se firmar como bastante tradicionalista e conservadora, ou seja, dá prioridade total à preservação da cultura e da tradição nacional. Essa ideologia acredita, que inspirou o fascismo no Brasil, também, que uma sociedade só pode funcionar, com ordem e paz, respeitando a base de uma sociedade estruturada apartir da religião e da família. Esse pensamento político, que foi inspirada na Doutrina Social da Igreja Católica, também teve forte inluência no continente americano.

Após o fim da Primera Guerra Mundial e da crise do capitalismo, um novo mundo estava sendo moldado por novas ideologias e doutrinas. O nazismo já se manifestava na Alemanha e o fascismo já dominava a Itália. Nessa mesma linha, o integralismo brasileiro, considerado como o fascismo brasileiro, surgiu num momento de crise econômica, política e social e ganhou forças junto à Revolução de 1930, que na verdade foi um golpe de estado.

No início da Era Vargas existia uma forte parceria entre os Integralistas e o presidente Getúlio. Para muitos, essa nova corrente, que se popularizava rápido entre os militares das forças armadas e alguns nomes respeitáveis perante a sociedade, era a saída para a massa desorganizada que estava prestes a ser conquistada pelo comunismo.

Quem eram os Integralistas

Os membros desse movimento, formado pela classe média, empresarial e operária se cumprimentavam dizendo “Anauê”, uma palavra em Tupi que significa “você é meu irmão”. Os integralistas recebiam instruções de ordem unida e realizavam atividades inspiradas nas forças armadas, o que justificava o uniforme verde que lhes rendeu o apelido de “galinhas verdes”.

Você conhece algum movimento que parece representar uma mente una, ligada a um líder? Seus seguidores costumam repetir, incansavelmente, tudo que eles falam? Essa ideologia e comportamento têm lhes rendido apelidos pejorativos junto à sociedade? Pois é, a história parece, constantemente, repetir-se, e o mais incrível é que esses grupos taxam opositores como fascistas, ratificando, tamanha a questionabilidade de seu comportamento, a frase de Churchil:

No futuro, os fascistas chamarão opositores de fascistas.

Líderes Integralistas

Os principais militantes que deram corpo ao movimento foram:

  • Plínio Salgado
  • Gustavo Barroso
  • Miguel Reale

Dentre esses líderes, o que mais se destacou e chegou a, inclusive, disputar as eleições para presidente do Brasil foi Plínio Salgado, que se resumia bem nesta frase, de cunho profético gerada numa espécie de seita:

O integralista é o soldado de Deus e da Pátria, o homem novo do Brasil, que vai construir uma grande nação.

Manifesto Integralista

O jornalista e escritor, Plínio Salgado, decidiu que deveria impulsionar as ideais integralistas no Brasil de uma forma mais formal. Então, no início de 1932, Plínio fundou a Sociedade de Estados Políticos, que reunia vários jovens e intelectuais. Em outubro do mesmo ano, foi lançado o Manifesto Integralista, também chamado de Manifesto de Outubro, que defendia o nacionalismo, a cultura, o corporativismo e a rejeição do socialismo como modo de organização social. Era o início da Ação Integralista Brasileira.

Porque do nome Integralista?

O fascismo brasileiro ganhou o nome Integralismo é devido ao livro de Plínio chamado de “A Teoria do Estado Integral”, no qual defendia um estado total e absoluto. Contudo, se dizia é taxado, atualmente, de extrema direita, que que surpreende bastante, pois esta também é sinônimo de liberdade econômica e social. Parece haver, então, um “buraco de minhoca” nesses debates políticos que dividem as ideias humanas em dois campos, nos quais à extremidade de um se abraça o outro.

Consequências do Integralismo Brasileiro

O movimento integralista ajudou a consolidar o espaço, além dos negros, da mulher na política; apostou na edificação de escolas e ambulatórios, na política assistencialista e na famosa distribuição de cestas básicas. Nos anos seguintes ao Manifesto Integralista que determinou a Ação Integralista Brasileira, esta cresceu de forma assustadora e já possuía sua própria milícia armada, além de uma estrutura de imprensa consideravelmente forte.

Em 1936, o movimento, que pode, facilmente, ser comparado a uma seita, já contava com mais de 150 mil integrantes, contra os 80 mil ligados à Ação Nacional Libertadora, seus principais opositores, considerados de extrema esquerda e que também defendiam um estado totalitário e, consequentemente, sem liberdade econômica, corroborando com a teoria do “buraco de minhoca” que permeia conceitos de muitos historiadores, positivistas, sobre política. Já que na economia, a ANL e os integralistas brasileiros, praticamente, não se diferenciavam, talvez, num esforço intelectual, podemos diferenciar os radicais de “esquerda” dos de “direita”, pelas pautas que se justificam, majoritariamente, no “pobre coitado” e na “família”, respectivamente, enxergando-se como donos da boa vontade, cada um, para com o seu nicho.

Ação Nacional Libertadora expulsa Integralistas da praça da Sé
Ação Nacional Libertadora expulsa Integralistas da praça da Sé (7 de Outubro de 1934)

Apesar de terem sido expulsos a pauladas pelo Ação Nacional Libertadora e perdido espaço na praça da Sé, Plínio Salgado, devido à sua considerável popularidade, em 1937, foi além do esperado e decidiu se candidatar à eleição presidenciável prevista para ocorrer em janeiro do ano seguinte, publicando o Manifesto Programa, de 1937, um dos documentos mais valiosos da Ação Integralista Brasileira. Esse conjunto de documentos ratificava pautas como a “casa própria” e a “alfabetização de adultos”.

Não é emblemático como pautas sociais permeiam partidos totalitaristas que desejam centralizar o poder? E o mais engraçado é como se degladiam, convencendo-nos do quanto um depende do outro para sobreviver, justificando comportamentos “injustificáveis” na ação do outro, que se comporta igual. Vejam como esse acontecimento ainda é pertinente e permanece no imaginário dicotômico de alguns: trotskistas brasileiros contra o fascismo. Por outro lado, com o lema de “pátria, família, Deus”, a atual Frente Integralista Brasileira, retroalimenta os radicais que defendem corruptos ao nome de “pai dos pobres”, referenciando (ou reverenciando?) Lula, alcunha herdada, também de Getúlio, que insiste em permanecer presente, não só na história, como nos dias atuais.

Filme “A Onda”

O filme “A Onda” retrata uma experiência feita numa escola alemã, na qual o professor procurava exemplificar aos alunos o que era um governo totalitarisma e como seus membros se comportavam, sempre se sentindo especiais, por saber o que ninguém mais sabe, comportando-se como uma unidade que partilha de bons princípios e segredos. Qualquer um que esteja contra um movimento fascista, à direita ou à esquerda, se é que essa visão de mundo idiota e dicotômica existe é veementemente taxado de… fascista! Ora bolas! o.O

O fim do Integralismo

Plano Cohen: golpe de estado anti-comunista

O Estado Novo e a Ditadura Vargas

Os “fascistas brasileiros“, assim como os representantes dos demais partidos, durante suas propagandas, defendiam “bons projetos”, mas não chegou ao poder para colocá-los em prática, pois, em novembro de 1937, Getúlio Vargas colocou em prática o Plano Cohen, no qual usou como justificativa um iminente plano de ação comunista para iniciar uma ditadura, chamada de Estado Novo.

Filme “Memórias do Cárcere”

O filme Memórias do Cárcere, possui a implantação do Estado Novo e a aniquilação da Aliança Nacional Libertadora junto aos outros partidos como pano de fundo. Confira esse romance contextuado na Ditadura Vargas.

Em novembro de 1935, militares filiados à Aliança Nacional Libertadora revoltaram-se contra o Governo de Getúlio Vargas. A rebelião, facilmente sufocada pelo Exército, provocou a aplicação de medidas constitucionais de defesa da ordem política e social que suspendiam as garantias das liberdades individuais de todos os brasileiros. Graciliano Ramos, um dos mestres da moderna literatura brasileira, deixou desse episódio o testemunho humano no qual se inspira este filme.

A traição de Plínio Salgado

A par das ações de Getúlio desde antes da intervenção, Plínio já negociava um futuro cargo de ministro da Educação, tentando garantir poder justificando-o como garantia da presença dos integralistas no novo governo. Essa “desculpa” foi bem aceita entre seus seguidores, pois se comportavam como uma seita de líder inquestionável.

Mais uma vez o comportamento de Plínio Salgado foi idêntico ao de seu arqui-inimigo, Carlso Prestes, que apesar de ter tido a mulher, com um filho na barriga, extraditada aos campos nazistas, correu para um cargo no governo, fornecido pelo assassino e ditador, Getúlio Vargas. Prestes também foi culpado direto pela morte de uma garota de 17 anos, que, acusada de ser espiã, teve a vida findada por “Cabeção”, seu capacho.

Exílio de Plínio Salgado

Porém, a estratégia de se aliar a Vargas deu errado e, no mesmo ano, este decretou o fechamento do movimento integralista, juntamente com todas as demais organizações partidárias do país. Indignados com tal atitude, em maio de 1938, um grupo de integralistas promoveram um levante no Rio de Janeiro para depor o governo, mas foram derrotados sem dificuldades. Essa derrota impôs o exílio de Plínio Salgado em Portugal.

Tentativa de ressureição do movimento integralista

Com a redemocratização em 1945, foi fundado o Partido de Representação Popular, que tentou, novamente, impulsionar as ideias integralistas. Contudo, essa organização, que durou até 1966, não vingou, pois o momento histórico era outro.

Comparação entre Fascismo e o Integralismo brasileiro

A relação entre o fascismo e o extremismo do integralismo brasileiro é motivo de debate entre os historiadores. Além disso, seu comportamento parece permear, ainda hoje, muitos movimentos políticos, alguns assumidamente, como a Frente Integralista Brasileira.