Independência da Bahia. 2 de julho de 1823, Feriado. Pesquisa

Contexto da guerra de independência da Bahia

Para entendermos a guerra de independência da Bahia, é importante sabermos do contexto histórico da época em que alguns fatos ocorreram, em especial, o Período Joanino, a Revolução do Porto, a instauração das Cortes Constituintes em Portugal e a Batalha de Jenipapo. Assim, é possível saber os antecedentes que resultaram no feriado 2 de julho como o dia da independência da Bahia, através da Batalha do Funil e da Batalha de Pirajará, que tem como principal heroína, Maria Quitéria, a primeira mulher militar brasileira, e da Batalha do Funil,

Este post pretende-se como um material de pesquisa sobre a independência da Bahia e como uma homenagem a data de independência da Bahia, representada pelo feriado 2 de julho.

Hino da independência da Bahia

Há diversos símbolos sobre a independência da Bahia, um dos principais, além da bravura de Maria Quitéria e da liderança de Cipriano Barata a favor do país, é o hino da independência da Bahia.

Vídeo sobre o hino da independência na Bahia

Letra e gravação do hino 2 de Julho

Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro
Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações
Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender,
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer.
Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações
Salve, oh! Rei das campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será

Documentário sobre a independência da bahia

Período Joanino

Depois das guerras napoleônicas em 1815, inicia-se um período conhecido como período Joanino, que vai até 1821, quando a família real portuguesa retorno a Portugal e deixa Dom Pedro I como governando o Brasil. Dom João VI, não queria voltar, por isso elevou a colônia brasileira à condição de reino unido, evitando, assim, qualuer questionamento jurídico, pelo congresso de Viena, sobre a validade de seu trono após ter fugido de Napoleão. Todavia, neste período ocorreu um movimento liberal republicano em Portugal, conhecido como a Revolta do Porto.

A revolução do Porto

A Revolta do Porto, também conhecida como a Revolta do Porto, queria subordinar o rei ao poder legislativo através de uma constituição, por isso demandou que a família real voltasse a Portugal e destituiu o rei Dom João VI do cargo que soberano absoluto, que, agora, passaria a ser somente uma figura ilustrativa na vida administrativa portuguesa.

As Cortes Constituintes
Cipriano Barata e Luís Paulino

As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, ou, apenas, Cortes Constituintes, é o nome dado ao grupo de nobres que se reunião para decidir o furuto de Portugal e Brasil no novo contexto monárquico constitucional. Em vista disso, permitiram que 70 deputados brasileiros compusessem o quadro, mas somente algo em torno de 40 foi à Europa. Dentre eles Cipriano Barata e Luís Paulino, ambos bahianos mas inimigos por visões antagônicas.

Se antes as Cortes Constituintes incitavam um apoio ávido no coração dos brasileiros, no decorrer das reuniões foi ficando claro que era hora de apoiar a família real, mas especificamente Dom Pedro I, que ficou no Brasil. Pois, como Dom João VI havia acabado de elevar o Brasil à condição de reino unido, os brasileiros não gostaria de perder tal posto, o que não era a vontade das Cortes Constituintes, que queriam retornar o Brasil à condição de colônia.

Nesse contexto, Cipriano Barata logo ficou contra a Corte Constituinte, mas viu-se transtonado com o apoio do compatriota às Cortes Constituintes, na esperança de manter o Brasil como reino unido, ao envio de tropas à Bahia. Por isso, durante uma discussão no Palácio das Necessidades, em Lisboa, Cipriano Barata socou a cara de Luís Paulino e depois empurrou-o da escada.

O processo de independência do Brasil

O Dia do Fico

Dom Pedro I, vendo que, para conseguir o apoio dos brasileiros contra as Cortes Constituintes, que tomavam o poder de sua família, era interessante decretar a independência do Brasil, Dom Pedro I assim o fez, mas aos poucos. Primeiro se negou a voltar à Europa, com Dom João VI, quando teria dito a célebre frase “se é para o bem geral da nação, diga ao povo que fico”, num dia que ficou conhecido como o dia do fico.

Grito do Ipiranga

Depois, ele, compelido pelo contexto, teria dado o famoso Grito do Ipiranga, retratado no quadro de Pedro Américo, em que sentado num cavalo branco, com roupa de gala junto à copmatritas, desembanhou a espada e numa frase cinematográfica teria bradado “independência ou morte”. Contudo, é sabido que o quadro do Grito do Ipiranga foi encomendado pela família real, já representada por Dom Pedro II, no Brasil, 60 anso depois, pouco antes da monarquia cair e dar lugar à república.

Na verdade, Dom Pedro I, quando, finalmente, decidiu-se pela independência do Brasil, estaria no lombo de um burro, com uma baita diarréia, tendo acabado de subir a serra de Petrópoles, viu-se, após notícias vindas de Portugal, sem saída, se não apoiar o movimento de independência brasileira.

Guerra de Independência do Brasil

Com a independência do Brasil declarada por Dom Pedro primeiro, as Cortes Constituintes investiram em retomar o país. Dentre as guerras mais famosas pela independência do Brasil estão a Batalha de Jenipapo, a Batalha do Pirajá e a Batalha do Funil, também chamada de guerra da independência da Bahia, na qual Maria Quitéria, mulher importante da história brasileira, primeira mulher militar, lutou e ganhou com honrarias do imperador.

Batalha de Jenipapo

As Cortes Constituintes, representando o interesse do então poder de Portugal, que subjulgava o rei Dom João VI numa monarquia constitucional, contavam com o major Fidié para retomar o Brasil como colônia. Esse, saiu junto às suas tropas de Oeiras, então capital da província de Piauí, rumo a Parnaíba, onde encontravam-se importantes líderes do movimento de independência brasileira. Aproveitando-se de sua saída, um grupo tomou o poder em Oeiras e decretaram um governador próprio. Por isso, no meio de sua caminha de 660 km, num sol de sertão escaldante, rumo a Parnaíba, Fidié viu-se obrigado a retornar. Acontece que no meio do caminho, um grupo de cearenses, sabedores do que vinha acontecendo, convenceram os moradores de Campo Maior, uma cidade central de piuaí, a batalhar contra o major Fidié.

Os soldados brasileiros na Batalha de Jenipapo, não entram treinados e se encontravam praticamente desarmados quando comparados à tropa de Fidié, motivo pelo qual perderam de 200 a 400 homens, contra apenas 16 do lado português, uma verdadeira chacina. Todavia, ainda marchando de volta a Oeiras, Fidié é informado de que as Cortes Constituintes sofreram um golpe por Dom Miguel, que restaurou o poder do pai Dom João VI, por essa razão e por constatar a força de vontade brasileira que não cessaria à luta, Fidié decidiu render-se.

Guerra de Independência da Bahia

Inicialmente, a resistência foi feita pelos próprios cidadãos, liderados por um fazendeiro local, mais conhecido como coronel Santinho, futuro Visconde de Pirajá, e alguns militares portugueses. Posteriormente, Pedro Labatut, o general que interecedeu a favor de Maria Quitéria quando seu pai quis tirá-la do exército, assumiu a liderança na guerra de independência na Bahia. Pedro Labatut, também conhecido como Pierre Labatut, era um experiente general francês que já tinha lutado, inclusive, na guerra de independência da Colômbia, ao lado de Simón Bolívar.

Exército da Guerra de Independência na Bahia

Antes de chegar a Bahia, Pedro Labatut, recrutou 700 homens em Sergipe, Alagoas e Pernambuco, recebeu mais 200 soldados da Paraíba e, posteriormente, 800 homens do batalhão do imperador, que vieram do Rio de Janeiro. Todos eles se uniram aos 1500 bahianos que se preparavam para enfrentar os portugueses.

Batalha de Pirajá

Apesar de muito pouco explorada pelos livros de história do Basil, a Batalha de Pirajá, que ocorreu no dia 8 de novembro de 1822, representou um importantíssimo momento de luta na guerra de independência da Bahia, que enfrentou os portugueses representantes dos interesses das Cortes Constituintes que queriam manter o país como uma colônia, embora terem, inicialmente, apresentado-se como liberais republicanos na Revolução do Porto, em Lisboa.

Uma das principais estratégias da Batalha de Pirajá, que foi a maior batalha terrestre da guerra da independência, foi cortar o fornecimento de comida à Salvador, que vinha do recôncavo Bahiano. Assim, os portugueses que se aglutinavam na capital da Bahia foram obrigados a partir para o ataque sobre o cerco ao recôncavo. Este, apresentava-se com pior treinamento e com poucas armas. Por isso, diz-se que foi uma batalha da carência contra a fome.

Segundo a tradição oral, que chegou até os nossos dias, quando a batalha parecia perdida para os brasileiros, o comandante dos brasileiros, Barros Falcão, decidiu recuar para proteger a tropa. Contudo, o corneteiro Lopes, responsável de passar a informação as tropas, tocou a música de “cavalaria avançar” e “cavalaria degolar”. Este foi o entusiasmo que faltava aos brasileiros para partirem como loucos sobre os portugueses, que batiam em retirada ladeira abaixo!

Maria Quitéria de Jesus

Maria Quitéria lutou heróicamente na batalha de Pirajá, fazia parte do chamado batalhão dos periquitos, que veio de cachoeira, seu comandante era o avô do famoso poeta, Castro Alves. Inicialmente, Maria Quitéria desfarsou-se de homem para ser aceita no exército. Entretanto, duas semanas depois, seu pai, Gonçalo a descobriu e foi buscá-la, mas Pedro Lanut, intercedeu a seu favor, deixando-a que ficasse no regimento, devido às suas habilidades, que se destavam. Seu pai, contrariado, foi para casa amargurado com a filha.

Depois de vitoriosa, Maria Quitéria foi condencorada com o Cruzeiro do Sul, a mais alta honraria brasileira, diretamente das mãos de Dom Pedro I, a quem pediu que escrevesse uma carta ao pai, pedindo-o que a desculpasse pelo seu ato de rebeldia, o que o imperador fez de bom grado, impelindo, assim, que seu Gonçalo desculpasse a filha.

O Corneteiro Lopes

Batalha do Funil

Afim de contornar o problema de abastecimento, o exército português, tentou tomar o controle do Rio Jaguaripe, por onde escoava, também, alguma produção agrícola e de carne. Todavia, os brasileiros também batalharam ali para não perder a boa estratégia, que haviam duramente conseguido, do cerco aos meios de produção.

Essa guerra às margens do Rio Jaguaripe, para impedir que alimentos vindos de Jaguarie e Nazaré das Farinhas chegasse as tropas da Corte Constituinte, ficou conhecida como a Batalha do Funil, vencida pelo Brasil.

A Batalha de Itarajá, vencida pela cidade vizinha contagiou Itaparica, ainda traumatizada pela violenta repressão portuguesa, que, poucos meses antes havia alvejado a cidade a tiros de canhões, por ter soado os sinos a favor da aclamação de Dom Pedro I imperador do Brasil, que havia acabado de se tornar independente.

Os portugueses, fugidos do cenário devastador da Guerra de Itarajá, foram para Itaparica, que agora encontrava-se preparada para expulsá-los de lá e vingar o acontecido. Seus habitantes haviam construído trincheiras e fabricado, artesanalmente, peças de artilharia. Foi com esse arsenal rudimentar que os brasileiros de Itaparica rechaçaram esse novo ataque português ocorrido no dia 7 de janeiro de 1823. Tendo, desse modo, ganhado a Guerra do Funil, ajudando a definir, de vez, o futuro do Brasil e colocando um ponto final à guerra de independência na Bahia.

Assim, na madrugada de 2 de julho de 1823, as principais tropas portuguesas entraram em seus navios para deixar o recôncavo bahiano para sempre. Fazendo com que, desse modo, o feriado 2 de julho, representasse a vitória na guerra da independência da Bahia.